sábado, 9 de junho de 2012

Tese de Antropologia eleita a melhor do país


A melhor tese de doutorado do país em Antropologia foi produzida na Universidade de Brasília. A história dos quilombolas no Mato Grosso do Sul, sob a perspectiva do campesinato e da memória de seus idosos, além da luta política pelo direito à terra dessas comunidades, resultou em mérito e reconhecimento à pesquisa desenvolvida pelo professor-substituto do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília, Carlos Alexandre Plínio dos Santos. O estudo foi selecionado pelo Prêmio Capes de Tese Edição 2011, divulgado nesta semana. Foram eleitas as 45 melhores teses de doutorado, defendidas em 2010, em diferentes áreas do conhecimento.
Sob a orientação da professora Ellen Fensterseifer Woortmann, Carlos Alexandre demonstrou em sua tese que as aspirações camponesas que orientaram a formação dos primeiros quilombolas são as mesmas que até hoje mantêm as 17 comunidades rurais negras que investigou, no Mato Grosso do Sul. São ideais como acesso à terra, formação de famílias e controle do processo de trabalho.
Para o pesquisador, as interações ocorridas entre ex-escravos da região pesquisada e das fazendas escravocratas do Triângulo Mineiro e do sul de Goiás ocasionaram o que ele chamou de “irmandade”, ou seja, “uma união que tem como principal objetivo a preservação de um projeto camponês”. A partir desse processo, novos núcleos se fortalecem e se organizam, “interligando, até mesmo, territorialidades espacialmente descontínuas”.
O professor explica que “a terra, como núcleo organizador, continua a orientar as comunidades negras rurais, embora, agora, essa luta esteja ressignificada, já que antes era baseada no parentesco e no compadrio, e atualmente está conformada a um campo político representado pelo Movimento Quilombola e pelo Movimento Negro”.
Para o professor, a premiação é mais que um reconhecimento pessoal, mas também das comunidades investigadas em seu estudo. “Esse prêmio é interessante por dar visibilidade a uma luta histórica legítima, especialmente agora, em um momento político conflituoso, onde de um lado estão comunidades negras rurais quilombolas e os movimentos de resistência e de outro, governos estaduais, prefeituras e entidades de interesses agropecuaristas”. O pesquisador cita o julgamento da constitucionalidade do Decreto 4.887/2003, o qual confere direito aos quilombolas quanto à titularidade das terras ocupadas, a partir de ação impetrada pelo Partido Democratas.

IDOSOS - Entre 2006 e 2010, Carlos Alexandre dedicou ao todo doze meses a um trabalho de campo etnográfico e documental. Foram quase cem entrevistas, principalmente com pessoas idosas e nas comunidades quilombolas Dezidério Felippe de Oliveira e Tia Eva. “Como percebi no trabalho de campo, houve uma grande preocupação dos idosos no sentido de que suas memórias não se perdessem, por isso a pesquisa sobre o passado deles e dos seus ascendentes foi central para minha pesquisa”, relata. “Somada à luta pela terra, resgatar essa memória significa recompor uma história que a História Oficial se negou a contar”.
Carlos Alexandre destaca que sua preocupação foi a de não deixar cair no esquecimento os parentes já falecidos, a luta de homens, mulheres e famílias que atravessou gerações por um pedaço de terra, os parentes assassinados, suas tradições e memórias pessoais. “Reconstituir essa outra história é reafirmar a identidade dessas comunidades, de nossos negros, de nosso Brasil”, comentou. “Não fosse o apoio do Departamento de Antropologia da UnB, fórum de excelência da universidade, essa pesquisa não teria alcançado tamanho êxito e alcance”, elogiou. O curso de Antropologia da UnB é avaliado pela Capes com nota máxima: 7. As avaliações são feitas a cada três anos. A última foi em 2010.
A cerimônia de entrega dos prêmios aos autores e da distinção aos respectivos orientadores e programas de pós-graduação ocorrerá no edifício-sede da Capes, em Brasília, no dia 11 de julho.

domingo, 3 de junho de 2012

História curiosa: R.M.S Diplomática




                                                                   
                                                                   titanicuniverse.com
INSTIGANTE

    Há 100 anos, quando R.M.S Titanic afundou, centenas de pessoas morreram , algumas sobreviveram, algumas ficaram órfãs.
   No entanto, apesar de ser trágico, por toda a aventura e aspectos da evolução marítima demostrada pelo transatlântico,  a história é revivida ao longo do tempo de diversas formas. Cinema e museu são os maiores exemplos.
   Em exposições, foram apresentadas peças da época e inclusive o cartão de acesso ao navio (ou ao menos uma representação do que seria o bilhete do ingresso).
   A questão fica: os bilhetes podem ser objeto de estudo diplomático? E sendo assim por exemplo, poderiam ser usados para comprovar que possíveis testemunhas da tragédia realmente estiveram lá no dia do acontecido, que realmente são sobreviventes?
    Fica mais fácil com a Diplomática verificar se as características do documento indicam ligação com a época,  com a pessoa que diz ser da época, que diz ter vivido o acidente.
    Com todas as discussões até aqui, seria possível atestar a fala de quem apresentasse o bilhete dizendo que participiou do naufrágio do Titanic/1912?
     Pode-se perceber as possibilidades de se atestar tal fala  pelas características diplomáticas sim. É  possível  inclusive, dizer que a falta das verídicas informações afetam no rumo que as pessoas  tomam podendo as deixar vulneráveis até mesmo dentro de um navio de até então inabalável segurança.                                                                       ****


marciapimentel.blog.br
                                                                       
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        Houve muitos relatos. Sobre pessoas e famílias, o mundo conheceu um pouco mais a partir dos relatos. Houve gente que acalmava gente, outros eram muito pequenos quando o naufrágio acontecia e teve gente que morreu mas salvou pessoas.
   Houve a história de Michel Navratil.
   Já falecido, era um bebê quando ele e seu irmão foram salvos. Seu pai morreu no naufrágio e no final de tudo a mãe acabou os reencontrando.
  Mas a atenção a essa história especificamente é pelo modo como agiu o pai dos dois para entrar a bordo com as crianças. Não se sabe como era exatamente o relacionamento do casal, mas o fato é que o pai de Navratil comprou as passagens com um nome falso. Ele estava levando os meninos para os EUA sem a permissão da mãe de quem havia se separado.
    Era um documento, o bilhete, provalvelmente autêntico por ter sido emitido por alguém de fato competente, mas certamente, não verídico por não conter as informações corretas quanto ao nome do comprador.
    Seguramente, o pai, caso sobrevivesse, teria dificuldade de demonstrar ou comprovar participação no desenrolar ou desfecho da história, ou atestar capacidade de testemunho sobre o ocorrido caso fosse chamado a relatar a alguém detalhes da tragédia.
   Até mesmo para o reconhecimento das crianças após já estarem a salvo em Nova Iorque era necessária a documentação com veracidade. Os bebês ficaram conhecidos e eram à epóca reconhecidos como os "órfãos do Titanic", pois ninguém sabia os verdadeiros nomes.
   A mãe (Sra Marcelle Navratil)   reconheceu os meninos alguns dias depois através de fotografia de jornal (Le Figaro) e, com grande dificuldade para comprovar a maternidade, conseguiu levá-los de volta pra casa.

Michel Navratil foi o último sobrevivente homem, conhecido. Morreu na França no dia 2 de fevereiro de 2001, aos 92 anos de idade. Afirmou que olhou muito para esse passado para sua escolha profissional. Foi professor universitário de Filosofia e diz que o naufrágio influenciou muito. Parece, no seu caso, ter sido a escolha certa.

Referências

 Disponível em: <http://www.titanicsite.kit.net/ilustres.html>. Acesso em 3 de jun. 2012.










quarta-feira, 30 de maio de 2012

UnB cria oito novos cursos de pós-graduação



Com o acréscimo dos novos programas, a UnB passa a oferecer 59 cursos de doutorado, 67 de mestrado e 8 de mestrado profissional. As propostas foram aprovadas pela Capes em dezembro de 2011. "Essa evolução está em perfeita consonância com a Capes e o Plano Nacional de Pós-Graduação, segundo a perspectiva de a universidade crescer quantitativa e qualitativamente", avalia Georgete Medleg Rodrigues, diretora de Pós-Graduação da UnB. "Esse quadro ilustra a mobilização e a maturidade da comunidade acadêmica no esforço de criação desses novos programas", complementa.
"Estamos na área de ponta da ciência com programas avançados e importantes, o que demonstra que dispomos de um corpo docente pujante com força para propor e sustentar esses programas", elogia a diretora, professora da Faculdade de Ciência da Informação e pós doutora pela Université de Paris 5

Leia a reportagem completa aqui!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Análise de materiais não-convencionais!

                                            (Imagem disponível em http://www.agecin.com.br)

Falaaaaaa galera que acompanha nosso blog, essa semana vamos trazer para vocês um exercício interessante proposto por nossa monitora Laila. A atividade consistia em analisar suportes não convencionais (veja a proposta Aqui), e acabamos ficando com a instituição fictícia Rádio Informação. Sem mais demora vamos ao exercício.


Modelo de análise diplomática e tipológica de materiais não convencionais de arquivo

Em um arquivo podem existir vários tipos de documentos e materiais, desde os mais convencionais como papéis, até os não convencionais, como os CDs, arquivos digitais, vinis, e etc. Esses materiais precisam ser tratados adequadamente para que não haja perda da informação e que seja possível  recuperá-los quando for preciso.
A empresa fictícia pela qual ficamos responsáveis pela análise foi a “Rádio Informação”, que é uma rádio acadêmica, formada por alunos de diversos cursos de graduação da UnB. A Rádio tem como objetivo transmitir as notícias referentes à comunidade acadêmica e produção científica, além de produzir programas sobre cultura e história. Baseado nisso separamos as séries documentais e optamos por realizar a análise da série Script do programa papo científico. Abaixo segue o exemplo do formulário utilizado na análise diplomática e tipológica da série. 

Série: Identificação da série;
Descrição: Identificação do conteúdo do documento;
Espécie: Explicação do que é o documento;
Produtor: Pessoa ou instituição que reuniu a documentação/acervo;
Trâmite: Sequência de processos necessários para criação da documentação;
Função arquivística: Motivo pelo qual a série foi guardada no arquivo;
Função administrativa: Motivo para o qual a documentação foi criada;
Suporte: Material utilizado para confecção do documento;
Forma: 
A forma é importante pelo fato de ser plausível identificar se é original ou cópia;

Formato: 
É relevante pelo fato de ser necessário saber a configuração física, e esta depende do suporte e da manipulação que se teve para criá-lo;

Autor: Pessoa responsável pela produção do documento;
Data tópica: Local de criação do documento;
Data cronológica: 
Importante para se ter noção do período em que o documento foi produzido e necessário para a avaliação
;
Legislação: Legislação que influenciou na criação do documento ou que estipule prazos de guarda etc;
Séries relacionadas: 
Relevante para identificar a organicidade e relacionamento dos documentos das séries com os demais documentos;

Acesso: Nível de acesso permitido ao documento;
Idioma: Língua na qual o documento foi criado;
Conservação: Condições para possíveis manuseios e acondicionamento dos documentos;
Número de exemplares: Quantidade de exemplares disponíveis;


Com base nesse modelo partimos para a análise e como resultado obtivemos a seguinte análise:

Série: Script do Programa de Papo Científico;
Descrição: Não identificado;
Espécie: Script de programa de rádio;
Produtor: Rádio Informação;
Trâmite: Elaborado pelo produtor do programa. Aprovado pelo diretor e repassado ao apresentador (radialista);
Função arquivística: Comprovar a forma como foi conduzido o programa de rádio;
Função administrativa: Conduzir o programa de rádio;
Suporte: papel;
Forma: original;
Formato: caderno;
Autor: Não identificado;
Data tópica: Universidade de Brasília;
Data cronológica: Não identificada;
Legislação: Não se aplica;
Séries relacionadas: Projeto do programa, roteiro do program, lista de convidados etc;
Acesso: Restrito;
Idioma: Português;
Conservação: Acondicionar em papel de ph neutro, pasta suspensas, ambiente climatizado, livre de umidade e livre de contato direto com o sol;
Número de exemplares: Não identificado;

Referências:

DURANTI, Luciana. Diplomática: usos nuevos para una antigua ciencia.  Trad. Manuel Vázquez.  Carmona (Sevilla): S&C, 1996.  (Biblioteca Archivística, 5).

GRUPO DE ARCHIVEROS MUNICIPALES DE MADRID.  Tipologia documental municipal 2. Arganda del Rey: Ayuntamiento de Arganda del Rey, 1992.

GRUPO DE TRABAJO DE ARCHIVEROS MUNICIPALES DE MADRID.  Manual de tipologia documental de los municipios.  Madrid: Consejeria de Cultura de la Comunidad de Madrid, 1988. (Archivos, Estudios, 2).

DI PIETRO, L. e CARVALHO, N. Organização de documentos audiovisuais e imagéticos:
 uma abordagem em diplomática e tipologia documental. Monografia de Graduação em Biblioteconomia. UnB. 2010. Acesso através dehttp://digifotoweb.blogspot.com.br/2010/11/alunas-de-biblioteconomia-fazem.html


quinta-feira, 24 de maio de 2012

Atividade em sala - modelos de tipologia documental

 

                                                         fonte: culturadigital.br - google.




 - Lista dos modelos estudados : Cataluña, Ayuntamento de Barcelona e Aragón


Modelo
Cataluña

1 – Organismo: Editora Eduem;
2 – Descrição da documentação:  
      Série documental: Marcador de texto;
      Ordenação: não contém;
      Datas extremas:
            Data tópica: Maringá;
            Data cronológica: não contém;
      Função administrativa: Divulgação, Publicidade;
      Âmbito legal: Não contém;
      Documentos formam o processo: O livro, o registro na editora;
      Metros lineares: -
      Series antecedentes: Desconhecida;
      Series relacionadas: Desconhecida;
      Documentos: Não contém;
      Suporte: Papel;
      Suporte de substituição: Não se aplica;
3 – Valor da documentação
      3.1 – Para administrativo, Legal, Jurídico, Fiscal: Administrativo;
      3.2 – Histórico: Nenhum;
4 – Acesso à documentação : Ostensivo;
5 – Proposta de descarte e eliminação: Corrente;

Modelo
Ayuntamiento de Barcelona

A - Descrição
  1 - Denominação da série: Marcador de texto publicitários para registro de Publicidade - A666;
  2 - Escritório Produtora: Editora EUEM;
  3 - Finalidade da gestão: Divulgar lançamento de livros
  4 - Procedimento Administrativo: Produção do livro, produção de marcadores de texto para divulgação;
  5 - Legislação: Não contém;
  6 - Documentos que formam o processo: Toda a documentação necessária para a produção do livro;
  7 - Séries Antecedentes ou relacionadas: Livro;
  8 - Documentos recaptulativos: Relacionados à série;
  9 – Documentos duplicados: Relacionados à série;
 10 - Tipo de processo: Divulgação;
 11 - Vigência Administrativa: Enquanto durar;
 12 - Acesso: Ostensivo;
 13 - Data limite: Não contém;
 14 - Forma de ordenação: Códigos, cronológica, cor, etc;
 15 - Tipos de suporte: Papel, vários;
 16 - Aplicação informática: Não se aplica;
 17 - Localização da documentação: Onde estiver localizado no arquivo/Código;
 18 - Observações: Não é possível identificar o contexto arquivístico do conjunto documental;
 19 - Pessoas que podem acessar a informação: Todos;

B – Avaliação

 Critérios: 3 cópias;
 Propostas: Divulgação de lançamento de livros;
 Observações: Não é possível avaliar o documento sem o contexto; 
 Data:
   Cronológica: Não;
   Tópica: Maringá;
 Assinatura: UEM


Modelo
Aragón

1 - Código: Não contém;
2 - Tipo Documental: Marcador de texto;
3 - Transferência: Não contém;
4 - Prazo de Conservação: Não contém;
5 – Acesso: Ostensivo
6 -  Prazo: Não contém;

Segue ainda uma proposta de modelo para análise tipológica de documentos

Modelo  Pós-Diplomática

1 – Descrição:
a) Organização emissora; editora Eduem
b) Série:  Marcadores Eduem
c) Tipo: mardcadores para textual
d) Função arquivística/ administrativa;
e) Datas cronológica: não
f) Data tópica: UEM
g) Trâmite: publicação do livro, ordem de serviço, projeto de marcadores, comprovantes de impressão dos marcadores;
h) Sinais de validação; nome da editora , logo da Universidade Federal e da editora;
i) Especie: marcadores;
j) Gênero: textual/imagetico;
k) Suporte: papel ;
l) Forma: originais;
m) Formato: marcador/folheto;
n) Acesso: ostensivo;

2 - Eliminação: enquanto durar

3- a) Obsevações: sem observações;
    b) Assinaturas: apenas marca da Universidade;



Referências bibliográficas:

RUIPÉREZ, Mariano Garcia. Tipología y séries: cuadros de clasificación, cuestiones metodológicas y prácticas: Las Palmas de Gran Canaria: Anroart, 2007 (Asarca forma, 2) cap. 1.3, p. 41-47.